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Dossiê 05 · Coletes: tipos e rotina

Coletes: tipos e rotina

O colete busca reduzir a progressão durante o crescimento, não oferecer uma cura garantida. Modelo, ajuste e tempo de uso são decisões da equipe com a família e o adolescente.

Colete rígido branco para escoliose sobre a cama, ao lado de uma camiseta de algodão dobrada.

Para entender com calma

O colete, sem mistério

O colete é indicado para tentar impedir que uma curva aumente enquanto a criança cresce. Ele não ‘endireita’ a coluna para sempre; seu objetivo principal é segurar a curva até o fim do crescimento, reduzindo a chance de chegar a um ponto em que se discutiria cirurgia.

O estudo BrAIST, publicado em 2013, mostrou que adolescentes com curvas de risco que usaram colete tiveram mais sucesso do que os que só foram observados, e que quanto mais horas de uso, melhor o resultado. Por isso a rotina de uso é tão importante quanto o próprio colete.

Adaptar-se leva tempo. Nas primeiras semanas é comum desconforto, pele sensível e dificuldade para dormir. Camiseta de algodão sem costuras por baixo, pele limpa e seca, retornos ao ortesista para ajustes e paciência ajudam muito. Feridas, dor forte ou dormência devem ser comunicadas à equipe.

Mais abaixo, você encontra os principais tipos de colete, como funciona o tempo de uso e como apoiar emocionalmente quem usa.

Clique em cada etapa

A jornada com o colete

Medidas ou escaneamento

O ortesista mede ou escaneia o tronco para fabricar um colete sob medida.

Treino de situações

O que você faria?

Situações comuns do dia a dia. Não há nota: é só um jeito de pensar junto.

Situação 1

Situação 01

Sua filha chora porque não quer usar o colete na escola.

Marque o que já faz sentido · nada é salvo

Kit da rotina com colete

0 de 6

  1. [1]
    Effects of Bracing in Adolescents with Idiopathic Scoliosis (estudo BrAIST) (abre em nova aba)

    New England Journal of Medicine · Estudo clínico · fonte publicada/atualizada: 2013

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://doi.org/10.1056/NEJMoa1307337

  2. [2]
    Diretrizes SOSORT 2016 para tratamento ortopédico e de reabilitação da escoliose idiopática (abre em nova aba)

    Scoliosis and Spinal Disorders (SOSORT) · Diretriz · fonte publicada/atualizada: 2018

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://doi.org/10.1186/s13013-017-0145-8

  3. [3]
    Braces for idiopathic scoliosis in adolescents — revisão sistemática (abre em nova aba)

    Cochrane Library · Estudo clínico · fonte publicada/atualizada: 2015

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://doi.org/10.1002/14651858.CD006850.pub3

  4. [4]
    Scoliosis Research Society — informações para pacientes e famílias (abre em nova aba)

    Scoliosis Research Society (SRS) · Material educativo

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://www.srs.org/patients

01 · Tipos de colete

Principais tipos de colete para escoliose

Colete rígido sob medida sobre bancada de oficina, ao lado de um notebook com escaneamento 3D do tronco

Rígido · uso de dia e noite · TLSO rígido

Colete de Boston

Um dos modelos mais clássicos e estudados. É uma órtese tóraco-lombo-sacra (TLSO) rígida, pré-fabricada ou ajustada ao molde do paciente, que usa a regra dos três pontos de pressão para empurrar a curva na direção contrária.

Quando costuma ser usado
Costuma funcionar muito bem em curvas lombares e tóraco-lombares mais baixas.
Bom saber
Fica por baixo da roupa; pode ser menos indicado para curvas torácicas altas.
Comparação entre os tipos de colete
ColeteMaterialQuando usarDestaque
Colete de BostonRígido · uso de dia e noiteCostuma funcionar muito bem em curvas lombares e tóraco-lombares mais baixas.Fica por baixo da roupa; pode ser menos indicado para curvas torácicas altas.
Colete Rigo-ChêneauRígido · uso de dia e noiteUsado em vários padrões de curva, porque o desenho é individual.O resultado depende muito da experiência de quem projeta e ajusta.
Colete de CharlestonRígido · só para dormirPode ser opção em algumas curvas, sobretudo lombares ou únicas.Menos popular no Brasil; não serve para ficar em pé.
Colete de MilwaukeeRígido com anel no pescoçoEra usado em curvas torácicas altas.Praticamente caiu em desuso pelo desconforto, pelo impacto na autoimagem e pelo risco de rejeição e bullying.
Colete suave (ex.: SpineCor)Faixas elásticasTem indicações mais específicas.Tem menos comprovação de eficácia que os rígidos em curvas de maior risco.

Qual colete é o certo para uma criança é decisão da equipe (ortopedista e ortesista), conforme o tipo e o local da curva, a idade e o crescimento.

02 · Tempo de uso

Quantas horas por dia — e por quanto tempo?

O tempo de uso é uma das perguntas mais comuns — e uma das que mais importam. Abaixo está o que os estudos usam como referência. O tempo de cada criança é sempre definido pela equipe que a acompanha.

  • Uso integral

    cerca de 18 a 23 h por dia

    O regime mais estudado para coletes rígidos de dia e noite (Boston, Chêneau). Tira-se para banho, esporte e cuidados com a pele.

  • Uso parcial

    cerca de 12 a 20 h por dia

    Às vezes combinado pela equipe em situações específicas ou na fase de desmame.

  • Uso noturno

    cerca de 8 a 12 h, dormindo

    Próprio dos coletes noturnos, como o Charleston.

O que a pesquisa mostrou

  • No estudo BrAIST (New England Journal of Medicine, 2013), adolescentes que usaram colete tiveram bem menos progressão até a faixa cirúrgica do que os que só foram observados.
  • O mesmo estudo mostrou uma relação de ‘dose’: quanto mais horas o colete era de fato usado (medido por sensor), maior a chance de sucesso. Quem usou em média 13 horas ou mais por dia teve os melhores resultados.
  • Ou seja: o colete funciona quando é usado. Por isso adesão, conforto e apoio emocional fazem parte do tratamento.

Por quanto tempo no total

  • O colete costuma ser usado até o fim do crescimento ósseo — o que pode levar meses ou alguns anos.
  • A retirada geralmente é gradual (desmame), decidida pela equipe com base em exames de crescimento e raio-X.
  • Os coletes precisam de revisões e trocas conforme a criança cresce.
  1. [1]
    Effects of Bracing in Adolescents with Idiopathic Scoliosis (estudo BrAIST) (abre em nova aba)

    New England Journal of Medicine · Estudo clínico · fonte publicada/atualizada: 2013

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://doi.org/10.1056/NEJMoa1307337

  2. [2]
    Diretrizes SOSORT 2016 para tratamento ortopédico e de reabilitação da escoliose idiopática (abre em nova aba)

    Scoliosis and Spinal Disorders (SOSORT) · Diretriz · fonte publicada/atualizada: 2018

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://doi.org/10.1186/s13013-017-0145-8

  3. [3]
    Braces for idiopathic scoliosis in adolescents — revisão sistemática (abre em nova aba)

    Cochrane Library · Estudo clínico · fonte publicada/atualizada: 2015

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://doi.org/10.1002/14651858.CD006850.pub3

03 · Apoio psicológico

Cuidar da cabeça e do coração durante o colete

Colete mexe com o corpo, com a roupa, com a escola e com a forma como a criança se vê. Sentir raiva, vergonha ou tristeza é esperado — e há muito que a família pode fazer.

O que ajuda

Ouvir antes de orientar
Pergunte ‘como foi hoje com o colete?’ e escute até o fim. Sentimentos não precisam ser corrigidos, só acolhidos.
Dar escolha onde é possível
Cor do colete, roupas, horário do banho, o que contar aos amigos: pequenas escolhas devolvem controle.
Combinar a escola
Converse com coordenação e educação física sobre trocas de roupa, intervalos e respeito à privacidade. Bullying deve ser comunicado.
Conhecer outros jovens
Ver outros adolescentes que já usaram colete ajuda a não se sentir ‘o único’. Pergunte à equipe por grupos.
Procurar psicologia
O psicólogo ajuda a lidar com autoimagem, ansiedade e adesão. Pela UBS é possível pedir encaminhamento; em sofrimento intenso, CAPS infantojuvenil (CAPSi).
Mãe e filha adolescente conversam sentadas na cama, num quarto iluminado pelo fim de tarde

Sinais para ficar atento

  • Isolamento, deixar de ver amigos ou de ir à escola
  • Recusa persistente do colete, escondê-lo ou ‘esquecê-lo’
  • Mudanças de sono, apetite ou irritação constante
  • Falas de que ‘não aguenta mais’, de que não vale a pena
  • Relatos de piadas, apelidos ou bullying

Melhor evitar

  • “Para de drama, é só um colete.”
  • Usar o colete como castigo ou ameaça
  • Comparar com outras crianças
  • Fiscalizar o tempo todo na frente dos outros
  1. [1]
    Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e CAPS (abre em nova aba)

    Ministério da Saúde (Brasil) · Portal institucional

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/raps

  2. [2]
    CVV — Centro de Valorização da Vida (ligue 188) (abre em nova aba)

    CVV · Portal institucional

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://cvv.org.br/

  3. [3]
    Diretrizes SOSORT 2016 para tratamento ortopédico e de reabilitação da escoliose idiopática (abre em nova aba)

    Scoliosis and Spinal Disorders (SOSORT) · Diretriz · fonte publicada/atualizada: 2018

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://doi.org/10.1186/s13013-017-0145-8

Organizar o próximo passo

Do pedido à entrega do colete

O colete passa por prescrição, confecção por técnico ortopédico, prova e ajustes. Cada etapa tem papéis diferentes.

Onde conseguir o colete
  1. 01Confirme com a equipe o tipo de colete e quem fará a confecção.
  2. 02No SUS, pergunte como funciona a solicitação de órteses (OPM) no seu município ou CER.
  3. 03No plano de saúde, peça a negativa por escrito se houver recusa e consulte a ANS.
  1. [1]
    Saúde da pessoa com deficiência — reabilitação e órteses no SUS (abre em nova aba)

    Ministério da Saúde (Brasil) · Portal institucional

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/s/saude-da-pessoa-com-deficiencia/cer

  2. [2]
    Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) (abre em nova aba)

    ANS (Brasil) · Portal institucional

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://www.gov.br/ans/pt-br

Entender e cuidar

Objetivo e evidência

O que é

Diretrizes em geral consideram colete para curvas em torno de 20–25° ou mais com crescimento restante, conforme progressão e contexto. O BrAIST demonstrou benefício em adolescentes selecionados com escoliose idiopática e curvas moderadas; seus resultados não predizem um caso individual.

Por que importa

O uso real influencia o resultado, mas dificuldades não são falha moral. O número de horas e as revisões devem ser prescritos individualmente, sem copiar rotinas de outras pessoas.

Para levar à consulta

  • Qual benefício e quais limites são esperados?
  • Como acompanhar o ajuste e a resposta?
Aprofundar · Cap. 09Como o colete funciona

Fontes deste dossiê

  1. [1]
    Diretrizes SOSORT 2016 para tratamento ortopédico e de reabilitação da escoliose idiopática (abre em nova aba)

    Scoliosis and Spinal Disorders (SOSORT) · Diretriz · fonte publicada/atualizada: 2018

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://doi.org/10.1186/s13013-017-0145-8

  2. [2]
    Effects of Bracing in Adolescents with Idiopathic Scoliosis (estudo BrAIST) (abre em nova aba)

    New England Journal of Medicine · Estudo clínico · fonte publicada/atualizada: 2013

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://doi.org/10.1056/NEJMoa1307337

  3. [3]
    Braces for idiopathic scoliosis in adolescents — revisão sistemática (abre em nova aba)

    Cochrane Library · Estudo clínico · fonte publicada/atualizada: 2015

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://doi.org/10.1002/14651858.CD006850.pub3

Conteúdo educativo; não substitui avaliação da equipe de saúde. Procure atendimento rápido diante de dor intensa ou noturna persistente, fraqueza ou dormência nas pernas, perda de controle de urina ou fezes, falta de ar ou, após cirurgia, febre com dor ou secreção na ferida. Pensamentos de se machucar exigem ajuda imediata; CVV 188 oferece escuta. Em emergência, ligue SAMU 192.

Informação educativa, não substitui avaliação profissional.