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Capítulo 15 / Viver

Saúde emocional: há espaço para sentir e pedir ajuda

A curva não define valor, beleza ou futuro; o sofrimento merece cuidado de verdade.

Para quem
Adolescentes, familiares e cuidadores lidando com imagem corporal, ansiedade ou sobrecarga.
Texto editado em
17/07/2026 · ~4 min de leitura
Adolescente conversando com uma psicóloga numa sala acolhedora cheia de plantas.

Sentir medo, raiva ou vergonha é humano — para a criança e para quem cuida. Este espaço é para isso também.

01 · Começando do zero

Mochila de sentimentos

Cada consulta, olhar no espelho ou comentário na escola pode colocar uma pedrinha na mochila. Conversar, ser ouvido e ter ajuda profissional é jeito de esvaziar um pouco esse peso.

02 · Ao final, você vai saber

  1. 01Sinais de que a criança está sofrendo
  2. 02Como abrir conversa sem pressionar
  3. 03Onde encontrar apoio psicológico

03 · Palavras explicadas

Autoimagem
Como a pessoa se vê e se sente com o próprio corpo.
Acolher
Escutar sem julgar nem apressar.

Em poucas palavras

  • Vergonha, medo e raiva podem aparecer sem significar fraqueza.
  • Bullying exige proteção e ação, não adaptação silenciosa da vítima.
  • Psicologia e rede de saúde podem apoiar adolescente e família.
  • Risco de se machucar pede ajuda imediata; CVV 188 oferece escuta.

Sinais que não devem esperar o retorno

  • Dor intensa ou noturna persistente precisa de avaliação rápida; não atribua automaticamente à escoliose.
  • Fraqueza ou dormência nova nas pernas, perda de controle de urina ou fezes e falta de ar exigem avaliação urgente.
  • Após cirurgia, febre, dor em piora ou secreção na ferida pedem contato imediato com a equipe ou atendimento de urgência.
  • Pensamentos de se machucar exigem ajuda imediata: procure uma emergência e uma pessoa de confiança. Em risco imediato, SAMU 192; CVV 188 oferece apoio emocional e não substitui a emergência.

Em emergência: SAMU 192. Saiba quando procurar ajuda

Imagem corporal sem comparação obrigatória

Mudanças no tronco, no modo de vestir ou na presença de uma cicatriz podem afetar como a pessoa se reconhece. Comentários bem-intencionados sobre estar mais reta ou esconder melhor a curva podem reforçar a ideia de que o corpo precisa passar por uma avaliação constante. Pergunte como a pessoa prefere ser apoiada.

Não é necessário gostar de cada mudança para merecer respeito. O adolescente pode escolher roupas e formas de falar do diagnóstico sem ter que exibir confiança o tempo todo. Oferecer privacidade e preservar sua decisão sobre fotografias ajuda a manter autonomia num período em que já há muitas intervenções sobre o corpo.

Referências desta seção: Scoliosis Research Society — informações para pacientes e famílias · Scoliosis

Bullying não é brincadeira inevitável

Apelidos, exposição de fotos, exclusão e comentários repetidos sobre o colete ou o corpo precisam ser levados a sério. A responsabilidade pela agressão não é de quem tem escoliose. Família e escola devem construir uma resposta que interrompa a violência sem ampliar a exposição da pessoa.

Registre episódios de forma segura e procure a referência da escola, envolvendo o adolescente nas decisões. Direitos de proteção, dignidade e participação se aplicam independentemente de um enquadramento como deficiência. A resposta não pode se resumir a pedir que a pessoa aguente ou abandone a escola e o convívio.

Referências desta seção: Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990) · Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015)

Ansiedade e tratamento merecem escuta

Consultas, uso de colete e preparação para cirurgia podem provocar medo e sensação de perda de controle. Explicações em etapas, possibilidade de fazer perguntas e estratégias combinadas com psicologia podem ajudar. Não prometa ausência de dor ou resultado perfeito apenas para diminuir a ansiedade naquele momento.

Quando tristeza, irritabilidade, sono ruim ou isolamento persistem e prejudicam o cotidiano, procure apoio na UBS. A rede pode incluir psicologia e atenção psicossocial, inclusive CAPS conforme avaliação e organização local. Pedir ajuda não invalida gratidão à família nem significa que a pessoa está desistindo do tratamento.

Referências desta seção: Atenção Primária à Saúde — Unidades Básicas de Saúde · Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e CAPS

Crise emocional requer presença e proteção

Se houver pensamentos de se machucar, fale diretamente e com acolhimento sobre a necessidade de ajuda. Não trate a fala como chantagem nem prometa guardar segredo diante de risco. Procure uma pessoa de confiança e atendimento imediato; a pessoa em risco não deve ficar sem apoio enquanto se organiza a ajuda.

Em perigo imediato, procure emergência ou acione o SAMU 192. O CVV atende pelo 188 para apoio emocional, mas não substitui avaliação de urgência. Familiares também podem precisar de suporte para lidar com medo e exaustão, sem colocar no adolescente a responsabilidade de tranquilizar todos.

Referências desta seção: CVV — Centro de Valorização da Vida (ligue 188) · Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e CAPS

Você sabia?

Imagem corporal sem comparação obrigatória

Mudanças no tronco, no modo de vestir ou na presença de uma cicatriz podem afetar como a pessoa se reconhece. Comentários bem-intencionados sobre estar mais reta ou esconder melhor a curva podem reforçar a ideia de que o corpo precisa passar por uma avaliação constante. Pergunte como a pessoa prefere ser apoiada. Não é necessário gostar de cada mudança para merecer respeito. O adolescente pode escolher roupas e formas de falar do diagnóstico sem ter que exibir confiança o tempo todo. Oferecer privacidade e preservar sua decisão sobre fotografias ajuda a manter autonomia num período em que já há muitas intervenções sobre o corpo.

Fonte: Scoliosis Research Society (SRS)

Bullying não é brincadeira inevitável

Apelidos, exposição de fotos, exclusão e comentários repetidos sobre o colete ou o corpo precisam ser levados a sério. A responsabilidade pela agressão não é de quem tem escoliose. Família e escola devem construir uma resposta que interrompa a violência sem ampliar a exposição da pessoa. Registre episódios de forma segura e procure a referência da escola, envolvendo o adolescente nas decisões. Direitos de proteção, dignidade e participação se aplicam independentemente de um enquadramento como deficiência. A resposta não pode se resumir a pedir que a pessoa aguente ou abandone a escola e o convívio.

Fonte: Presidência da República (Planalto)

Na prática

Sugestões gerais. Orientações individuais devem ser definidas por profissionais de saúde que acompanham você.

  • Pergunte que tipo de ajuda é desejada antes de oferecer soluções.
  • Combine resposta da escola a bullying sem exposição desnecessária.
  • Guarde os contatos da rede, SAMU 192 e CVV 188.

O que a ciência sabe

Qualidade de vida não acompanha necessariamente o tamanho da curva: sofrimento pode ser importante mesmo quando o exame parece estável.

Apoio psicológico não é uma correção da coluna, mas pode melhorar recursos de enfrentamento, comunicação e participação no cuidado.

Dúvidas frequentes

Perguntas para sua próxima consulta

Para levar aos profissionais de saúde que já acompanham você. O portal Entendendo a escoliose infantil não oferece atendimento nem consultas.

  1. 1.“Há espaço para conversar em particular durante a consulta?”
  2. 2.“Que apoio psicológico existe na rede e como acessá-lo?”
  3. 3.“Como reconhecer piora emocional e agir numa crise?”

Informações educativas baseadas em fontes indicadas. Não substituem diagnóstico, atendimento ou orientação de profissionais de saúde. Em emergências, busque atendimento imediato. Brasil: SAMU 192.

Referências

Fontes usadas como referência temática. Elas não endossam este texto.

  1. [1]
    Scoliosis Research Society — informações para pacientes e famílias (abre em nova aba)

    Scoliosis Research Society (SRS) · Material educativo

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://www.srs.org/patients

  2. [2]
    Scoliosis (abre em nova aba)

    National Health Service (NHS, Reino Unido) · Material educativo

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://www.nhs.uk/conditions/scoliosis/

  3. [3]
    Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei nº 8.069/1990) (abre em nova aba)

    Presidência da República (Planalto) · Norma técnica · fonte publicada/atualizada: 1990

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm

  4. [4]
    Lei Brasileira de Inclusão da Pessoa com Deficiência (Lei nº 13.146/2015) (abre em nova aba)

    Presidência da República (Planalto) · Norma técnica · fonte publicada/atualizada: 2015

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2015-2018/2015/lei/l13146.htm

  5. [5]
    Atenção Primária à Saúde — Unidades Básicas de Saúde (abre em nova aba)

    Ministério da Saúde (Brasil) · Portal institucional

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saps

  6. [6]
    Rede de Atenção Psicossocial (RAPS) e CAPS (abre em nova aba)

    Ministério da Saúde (Brasil) · Portal institucional

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://www.gov.br/saude/pt-br/composicao/saes/raps

  7. [7]
    CVV — Centro de Valorização da Vida (ligue 188) (abre em nova aba)

    CVV · Portal institucional

    Endereço cadastrado; abertura da fonte ainda não registrada.

    https://cvv.org.br/

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